2026-04-21

Palavras chave
biomassaA procura de soluções energéticas que minimizem o impacto que os combustíveis fósseis têm nas alterações climáticas, deu um forte impulso no surgimento de fontes alternativas como é o caso das centrais de biomassa. Estas, particularmente, por razões relacionadas com os incêndios florestais, já que foram desenhadas para consumir os sobrantes dos desbastes das matas, espécies invasoras, e dos incêndios que não tiver valor para a industria da madeira ou da pasta de papel.

Em Portugal, existem mais de duas dezenas de centrais termoeléctricas e de cogeração, situando-se a sua grande maioria a norte do rio Tejo, apenas duas localizam-se na região de Seúbal.
Na nossa região, existem duas centrais de biomassa. A de Belmonte, inaugurada em 2010, com capacidade para produzir 2 MW, presentemente desactivada, existindo por parte do município a intenção de a reactivar e requalificar, segundo as notícias. A do Fundão possui uma capacidade energética de 15 MW e tem um peso significatico na economia do concelho, principalmente pelo no número de trabalhadores que emprega, a rondar a centena.
É difícil de entender como foi possível permitir-se a construção de uma unidade de produção de energia, por queima de resíduos florestais quando se pensou construir uma central de biomassa no Fundão, distante das fontes de fornecimento de matéria para a sua queima e a consequente produção de energia eléctrica. Por outro lado construir uma central praticamente dentro do perímetro urbano, a escassos 100 metros de quintas onde habitam pessoas que vivem da agricultura, não foi uma boa opção. Ou a 500 metros de uma unidade turistica de referência da região, por exemplo.
A propósito da gestão sustentável de 13 centrais que a nossa congénere ZERO analisou em 2022, apenas 5 apresentavam planos de sustentabilidade favoráveis, chegando a exigir a suspensão dos subsídios à produção de energia eléctrica, das centrais de Viseu e do Fundão. (1)
Relativamente ao desígnio para que as centrais de biomassa foram construídas, são muitas as reservas sobre os resultados do aproveitamento dos resíduos derivados da gestão florestal, já que se observam, de forma sistemática, nos parques de armazenamento, toros de madeira de boa qualidade.
Quando não se ganha tempo a estudar as melhores opções, é sempre muito difícil depois resolver os conflitos resultantes desse iato. O tempo que depois vai ser necessário para tentar emendar os erros, as consequências ao nível da saúde das pessoas que residem nas proximidades e que continuam a ser afectadas, será imenso e imprevisível.
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