2026-04-21

Palavras chave
covaoO Covão d’Ametade que, pela acção da nossa Associação, entrou no coração de milhares de portugueses e estrangeiros, é um cantinho muito especial na vida da ASE. Durante mais de três décadas, por altura do Carnaval, ali organizou o NEVESTRELA (25 anos), em pareceria com o CMG, e, posteriormente, sózinha, com a realização do ASESTRELA (9 anos).
Quem hoje entrar no Covão d’Ametade vai continuar a achar que é um espaço magnífico, um lugar que nos faz sentir bem e que todos gostariam de levar consigo para o lugar onde vivem. De facto, trata-se de um Monumento Natural, uma enorme beleza!
Mas já não é o mesmo Covão d’Ametade que conhecemos outrora.
Todos os visitantes que lá se dirigem, se forem acompanhados por alguém que sinta este lugar especial, que o viva e que conheça de perto a identidade daquele círculo glaciário, bem assim como o estado em que se encontra, depois da visita terá, necessariamente, de regressar mais preocupado.
É público o interesse da Câmara Municipal de Manteigas, através de uma publicação que Flávio Massano (28 de Outubro de 2025), Presidente da CMM, partilhou na rede social Facebook:
“Ainda sobre o Covão da Ametade, gostaria de deixar-vos alguns dados que só são possíveis de divulgar porque, em agosto de 2025, através de uma parceria e candidatura conjunta entre o Município de Manteigas e o Estrela UNESCO Global Geopark, com o nome “Do Zêzere à Torneira” (a tal campanha que chegou a Lisboa através de outdoors gigantes e que pretendeu sensibilizar a região e o país para importância de preservarmos os recurso naturais, principalmente a água), obtivemos financiamento para fazer uma data de coisas giras e importantes para o território.”
Independentemente da intenção contabilística, deixa-nos algumas expectativas o facto de ser intenção da Câmara: “recuperar, valorizar, cuidar e investir no nosso maior ativo, nos nossos recursos naturais, nos nossos diamantes.”

Covão d’Ametade.
O Covão d’Ametade, particularmente, foi mais degradado nos últimos 15 anos do que em toda sua existência, pelo menos, desde que o conhecemos. Já lá vão muitas décadas e sabíamos que esse risco era real, na medida em que quem assumiu a responsabilidade pela sua gestão não apresentava qualquer historial de conhecimento e de intervenção na Serra, muito menos, de descrição que nos permitisse a tranquilidade. A ausência de qualquer sinal que nos desenhasse um horizonte intencional levou-nos, desde início, a perspectivar o pior. E o pior aconteceu. E perpetua.
Aquilo a que temos assistido recentemente é de uma tristeza profunda, que daria para comover um qualquer transeunte. Assistir à inércia, à incompetência, ao “deixa andar”, diante de nossos olhos e, em simultâneo, a impotência de quem nada mais pode fazer. Tudo aquilo que devíamos e pudemos fazer, fizemos – mostrar toda a disponibilidade para ajudar a encontrar a melhor solução para o Covão d’Ametade.
O que desejamos, hoje, é que “recuperar, valorizar, cuidar e investir”, transcenda a mera eliminação dos fogareiros, da vedação, das estruturas, bem assim como das instalações sanitárias. A erosão causada pelo desordenamento e pela falta de manutenção adequada, precisa urgentemente de uma solução, sob pena de se tornar irreversível a recuperação do cervunal, principalmente, na margem direita do rio.
O Covão d’Ametade é um museu vivo de História Natural que carece de quem o saiba cuidar para uma maior e melhor valorização. O que se encontra no subsolo, onde praticamente não existe oxigenação e o processo bacteriano é quase inexistente, permite a conservação de todos os elementos que fazem o historial de tudo o que se passou à sua volta ao longo de milénios. Destruir isto é quebrar o elemento central que torna o Covão d’Ametade – tal como a sua envolvente – tão interessante!
Infraestruturá-lo ao mínimo e ter presente que é na Vila que o retorno económico deve ter lugar pode ser um bom princípio para lhe dar sentido e o devolver à sua beleza e singularidade natural.
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