2026-04-21

Palavras chave
estradasA derrocada que provocou o corte da EN 232, entre Manteigas e Gouveia, ao quilómetro 52, levou a direcção a procurar colaborar numa solução aquela que publicamos na edição anterior.
Não foi uma proposta avulsa, insensata, na medida em que a complexidade em encontrar uma solução imediata para a situação de instabilidade em que se encontra a encosta, na zona acidentada, bem assim como a sua dimensão e os possíveis custos, pesaram na nossa proposta.
À semelhança do que já tinhamos feito com a ER 338, pedimos uma reunião à Infraestruturas de Portugal S.A. na sua sede. Infelizmente, o nosso pedido nem sequer mereceu agradecimento, muito menos acusação do seu recebimento. Longe vão os tempos, em que ouvimos dos seus técnicos, na sua sede, em Almada, dizer – “É a primeira vez que alguém aqui vem para nos trazer alguma coisa!” De facto, diziam, só ali aparecia gente para exigir ao contrário da ASE que se apresentou com uma solução que, segundo disseram, era interessante mas tardia porque já estava em fase de adjudicação a instaliação da malha de aço para evitar a queda de pedras na via. A ER 338 abriu ao trânsito mas não houve qualquer beneficiação na plataforma, mantendo-se actual a solução que então lhes apresentamos.
Era por demais evidente que a alternativa pela Cruz da Jogadas e Campo Romão teria de ser uma solução de imediato e por isso a propusemos, enquanto nos empenhamos em estudar as probabilidades de resolver a questão da estrada nacional.
Em relação à situação da EN 232, do que foi público saber, houve uma reunião com um conjunto de entidades de onde sobressaiu a complexidade da situação bem assim como a possibilidade de poder haver três alternativas possíveis. Decorrido o prazo definido nessa reunião terá havido uma outra em que terão sido apresentadas as soluções possíveis, desconhecendo o desenvolvimento da discussão ou a opção que foi tomada. Bem assim como de que alternativas se falou.
Escrevemos anteriormente que daríamos, posteriormente, a nossa opinião sobre a recuperação da zona da derrocada. Nesse sentido, pensamos que, quer a estrada quer toda a área que sofreu da derrocada, devem ser equacionadas em conjunto e a recuperação de uma fazer parte da recupração da outra.
Nesse sentido, o Munícipio deverá reflectir muito bem sobre o aproveitamento da água, inclusive da sua eventual comercialização. Estabilizar a encosta com muros de suporte sucessivos, tendo em consideração o aproveitamento hídrico que foi citado e, em resultado desses esforços, procurar normalizar a plataforma da estrada de forma a ficar transitável.
Trata-se como será de prever de um processo que emerge de um conjunto de condições que terá de envolver diversas entidades, com responsabilidades distintas mas com finalidades comuns.
Foi atendendo ao conjunto de realidades que detectamos que optamos por apresentar a solução de antecipar o lance da estrada para um quilómetro antes, procurando com isso alcançar a planície de Campo Romão, aonde já existe a possibilidade de facilmente se aceder confluência da estrada, junto à Pousada de São Lourenço. Com o alongamento do novo troço para nascente seria quebrado o declive, mantendo aproximadamente o mesmo desnível do actual traçado.
Por outro lado, sabendo que as expropriações são um elemento nos custos das estradas, essa situação seria facilmente resolvida uma vez que se está na presença de terrenos comunitários que não teriam vantagem alguma em complicar que o troço fosse feito.
Os problemas de carácter hidrológicos seriam diametralmente opostos à da zona da derrocada uma vez que não são visíveis fontes, e as linhas de escorrência com pouco caudal, de solução fácil com pequenos viadutos e uma orografia puco acentuada.
Não temos dúvidas que quando se começarem a discutir os custos, as reflexões irão forçar os técnicos a procurarem as melhores soluções, Numa país em que o dinheiro não abunda, mais sensível serão as entidades na avaliação que tiverem para decidir.
Foi isso que fizemos. Procuramos encontrar uma solução que procurasse corresponder ao actual traçado, inclusive, afastando as complicações que a hidrologia pode causar e, ao mesmo tempo, manter o declive que a estrada tem.
ÚLTIMAS ACTUALIZAÇÕES
Na noite em que a revista estava a ser ultimada, tivemos conhecimento, através do Presidente da Câmara Municipal de Manteigas, que, nas redes sociais, divulgou a proposta em estudo, apresentada pela Infraestruturas de Portugal, I. P. (IP).
Tendo como única referência, da proposta da IP, a antecipação do lance da estrada, a 300 metros do local da derrocada, o que a orografia nos diz é que poderão abrir um novo troço com aproximadamente 300 metros, num desnível de 40 metros. É uma possibilidade, provavelmente, a mais célere e económica. O que acontece é que o novo troço poderá ficar com um declive que poderá passar os 13%!
Ao se confirmarem as nossas previsões, a situação poderá ser resolvida mas, a estrada, tal como na ER338, perderá qualidade.
No entanto, a análise dos técnicos da IP coincidiu com a que a ASE apresentou ao rejeitar qualquer solução para a zona da derrocada. Convém sublinhar que a nossa Associação considera importante a sua recuperação, acompanhada de outras intervenções que terão, necessariamente, de ser repensadas no futuro.
Ambiente | 2026-04-21
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