Revista Zimbro
by Amigos da Serra da Estrela
 

2026-04-21

A Importância do Pastoreio nos Sistemas Comunitários

A Importância do Pastoreio nos Sistemas Comunitários

 

Palavras chave

gado  pastoreio  
 

A Grande Rota da Transumância (GRT) que se vai realizar entre o corrente mês de Maio e Outubro, oferece um programa que promete continuar o sucesso das edições anteriores. Este ano anuncia-se recriar 10 percursos dos caminhos tradicionais por onde se deslocavam os rebanhos na procura, cicla de pastagens, para a renovação de pastos e não esgotar os recursos da terra, mantendo-a em pousio, alternadamente.

O presente ano (2026) foi declarado pela Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores. Com esta iniciativa a ONU reconhece a importância da pastorícia procurando, com esta declaração, despertar consciências e mobilizar o mundo para a significado que os rebanhos e os pastores têm na gestão sustentável das pastagens, no crescimento económico e meios de subsistência resilientes, principalmente das regiões montanhosas, bem o seu papel na manutenção da paisagem, da biodiversidade e do turismo.

Sendo importantes estas iniciativas, é urgente e necessário ir mais além porque os indicadores revelam séries ameaças existenciais da presença dos rebanhos nos terrenos comunitários da Serra da Estrela, com as consequentes derivas que daí poderão resultar.

Estamos na presença de um paradoxo onde, por um lado se destaca a importância que os rebanhos desempenham, pelo pastoreio, nomeadamente extensivo, para a prevenção dos fogos, a sustentabilidade dos recursos naturais, o fomento da biodiversidade, entre outras potencialidades, e ao mesmo tempo corre o risco existencial, em grande parte por uma desvalorização económica e social, que gerou por um declínio geracional, que ameaça o sistema pastoril extensivo, principalmente este.

A tendência das sociedades de progredir cada vez mais pela área de serviços (sector terciário), tem levado ao alheamento dos sectores primários que são, afinal de contas o sustentáculo de tudo o resto, caso contrário o país ficará ainda mais dependente das importações com as consequência de ordem económica que resultam da falta de desempenho na área da sustentabilidade alimentar de qualquer país e Portugal não é diferente.

A realidade da vida faz os alertas e impõe-se, perante a indiferença que tem reinado. Daí a decisão do governo ao criar um programa de apoio ao pastoreio extensivo, com dotação de até 30 milhões de euros anuais, que serão financiados pelo Fundo Ambiental. Com este montante o Executivo espera diminuir a carga combustível, destinando para as áreas de baldio uma dotação anual de 7,5 milhões de euros, atribuindo, a fundo perdido um valor de referência de 120€/hectare. Para apoio aos animais existe uma dotação anual de 15 milhões de euros, concedendo apoios a Fundo Perdido com valores unitários indicativos de 150€ por vaca de aleitamento e 30€ por ovelha ou cabra. (2)

Como o apoio se irá praticar é que nos merece muitas dúvidas tendo em atenção o conhecimento da realidade socio-cultural do sector pastoril.

É uma boa oportunidade para os baldios desempenharem o importante papel que lhe estão destinados e que a raiz da sua existência. Mas para que isso se torne possível é necessário, primeiramente, que os Conselhos Directivos dos Baldios repensem na sua forma organizativa para que se possam dotar de meios e recursos técnicos capazes de responder às solicitações que o futuro lhes irá exigir.

Esperemos que estejam à altura desse desafio.

 

Referências de Suporte Bibliográfico

 
 

 
 
 
 

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