Revista Zimbro
by Amigos da Serra da Estrela
 

2025-07-15

Nem à Lupa!

Nem à Lupa!

 

Palavras chave

estado  orçamento  
 

Inevitavelmente, o rasto deixado pelas chamas vai continuar a ser tema de análise, infelizmente, não pelos melhores motivos.

Desde a primeira hora se sabia que a imensidão do que havia a fazer não iria encontrar capacidade nos recursos humanos e, parece, nos financeiros também não, dado os alertas que vão sendo tornados públicos. Autarcas afirmam que o montante anunciado no Plano de Revitalização para o Parque Natural da Serra da Estrela não foi contemplado no Orçamento do Estado de 2024 e ignora-se o que o futuro OE trará.

Já lá vão quase três anos e parte da intervenção realizada na reparação dos caminhos terá de ser sujeita a novos arranjos porque a passagem constante de camiões de grande tonelagem têm vindo a danificá-los. Tememos que depois de concluída a retirada da madeira queimada, haja dificuldades em financiar os novos trabalhos.

Mas o que importa realçar é que a recuperação e conservação dos ecossistemas afectados está omissa no PRPNSE, ou tratados com insignificância. Por outro lado, os aspectos da conservação têm estado presentes no léxico da generalidade dos representantes autárquicos, nas suas apresentações públicas e na imprensa, enquanto da parte do ICNF pouco ou nada se sabe sobre qualquer medida prática que nos seja digno realçar.

Parece-nos óbvio que, tendo em consideração as consequências que a ocorrência do fogo e de seguida a erosão causada pelas chuvas, seria plausível investir massivamente na reflorestação nas linhas de cabeceira, que é aonde se iniciam os processos erosivos, antes que os matos tonem qualquer intervenção mais problemática e dispendiosa. Aliás, não acreditamos que os Baldios, os Municípios ou o INCF, invistam na plantação, preparando o terreno através do corte dos matos, porque sempre manifestou que a política seria esperar que a regeneração natural se efectivasse.

Perante tal cenário, não vemos que os ciclos dos fogos se alterem. É até provável que o crescimento pujante dos matos, num contínuo impressionante, que se pode admirar por toda a Serra e para o qual terão contribuído as chuvas da Primavera, poderá vir a tornar-se num autêntico barril de pólvora agora que se avizinham as temperaturas mais elevadas.

De facto, a realidade que temos presentemente no terreno é pior do que a de 2022. Há menos árvores e mais matos. A velocidade de propagação das chamas nas zonas de vegetação é muito mais volátil que nas zonas arbóreas. Os vales onde tradicionalmente se praticava a agricultura estão abandonados e os matos a tomar conta dos terrenos, conferindo-lhes um contínuo de massa combustível quando antes constituíam zonas tampão.

Como neste país sempre se tratou muito mal a agricultura familiar, vai ser muito difícil agora procurar reverter a esta realidade já que grande parte das pessoas que desenvolviam este tipo de agricultura tem, actualmente, idade avançada ou, por outro lado, já não a pratica. O excelente serviço que prestavam à sociedade sempre foi visto como uma actividade menor e os subsídios vistos como uma esmola, quando o que lhes deveria estar a ser pago era uma prestação pelo contributo na preservação da paisagem e no controlo da propagação dos fogos.

Iniciativas que tenham sido prestadas para a conservação dos ecossistemas nem à lupa se conseguem observar!

 
 

 
 
 
 

Comente o artigo

0 Comentários


Contactos | Ficha técnica | Política de privacidade

© 2026 Revista Zimbro

hosted by dominios.pt

Siga-nos

 

vote for this article