Revista Zimbro
by Amigos da Serra da Estrela
 
Psicóloga

2026-10-07

Centro de Excelência da GNR em Manteigas

Centro de Excelência da GNR em Manteigas

 

Palavras chave

gnr  manteigas  
 

O socorro na Serra da Estrela era praticamente inexistente até meados da década de 90, mais concretamente até 1996. O socorro existia, mas sem critério, sem formação e sem meios que tornassem o socorro eficiente.

Até uma época em que funcionava o “tudo ao monte e fé em Deus”, sem conhecimento, sem planeamento ou qualquer tipo de conhecimento empírico, sem que houvesse equipamento minimamente adequado para realizar operações com garantia da sua eficácia, quer para as vítimas quer para os socorristas.

Depois de 1996, tudo mudou com a Equipa SOS-Estrela, criada, fundamentalmente, para despoletar uma realidade que até essa data as entidades com essa responsabilidade teimavam não considerar uma necessidade. Foi a “alfinetada” necessária para que a realidade das limitações do socorro fossem expostas e que os responsáveis passassem a ter o zelo que até então não faziam cumprir. A realidade actual é diametralmente oposta à de então, fruto desta iniciativa cujo resultado permitiu o crescimento das entidades hoje responsáveis pelo socorro em montanha.

A formação e especialização dos membros que prestam o socorro deve ser uma máxima em todas as organizações que têm como princípio essa função. Nas zonas de montanha particularmente, pela sua especificidade.

Foram anos muito interessantes que expuseram as capacidades e motivações das mais diversas organizações pela maneira como encaravam o socorro, chegando mesmo a organizar simulacros com helicóptero e até a anunciar a criação de uma equipa radicada em Lisboa para vir actuar à Serra da Estrela em casos em que a situação que o justificasse. Desconhecia-se a esfera de acção do socorro em montanha e as intervenções por terra não eram uma hipótese se os meios aéreos entrassem em acção.

Felizmente, o tempo e os acidentes que foram sucedendo forçaram os responsáveis a ter de aceitar as realidades e a enveredar pelo único caminho que teriam de trilhar: formar equipas terrestres.

Com algumas corporações dos bombeiros a procurarem formar-se e equipar-se, muito lentamente, diga-se, a GNR, que já se encontrava na Serra da Estrela com o objectivo de regular o trânsito no acesso à Torre, percebeu a existência da lacuna, no socorro e começou, por sua vez, a intervir neste campo. Não o fez da melhor forma, no entanto, precipitando-se no diagnóstico. Foram anunciados grandes investimentos, o último dos quais o “Centro de Excelência em Manteigas”.

Tanto o “quartel” na Torre, como em 1998 se anunciou uma base nas Penhas da Saúde, bem assim como o acordo firmado com a Câmara Municipal de Manteigas para a cedência de um espaço por 25 anos para a instalação de um “Centro de Excelência”, são, do nosso ponto de vista, fruto de uma política turística, certamente desenquadrada da realidade e potencialidade que a Serra da Estrela apresenta.

Concluindo, Portugal não pode dar-se ao luxo de manter 30 homens em regime de permanência por causa de uma política errada do turismo que se desenhou para a Serra da Estrela, vejamos, na Torre. De facto, a única coisa que mudou foi o tempo, porque a filosofia que lhe tem estado subjacente tem sido rigorosamente a mesma. Mais grave, quando se torna claro que o modelo está esgotado e as alterações, nomeadamente, da falta de neve, já não podem ser mais ignoradas.

Se a mudança é difícil, comecemos pela reflexão. Que modelo de turismo se adapta melhor à realidade da Serra da Estrela?

 
 

 
 
 
 

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