2026-10-07

Palavras chave
estradas territorioA derrocada que provocou o corte da EN 232, entre Manteigas e Gouveia, ao quilómetro 52, levou a direcção a procurar colaborar numa solução, aquela que publicamos na edição anterior.
Não foi uma proposta avulsa, insensata. A complexidade da situação, que desde logo foi manifestada pela ASE, pelas observações que fez a todo o perímetro da derrocada, bem assim como das evidências periféricas, exige de todos um sentido de responsabilidade, no encontrar das melhores soluções, algo que não se tem notado por aquilo que se vai lendo nas redes sociais.
À semelhança do que já tínhamos feito com a ER 338, pedimos uma reunião à Infraestruturas de Portugal S.A. na sua sede. Infelizmente, o nosso pedido nem sequer mereceu agradecimento, muito menos acusação do seu recebimento. Longe vão os tempos, em que ouvimos dos seus técnicos, na sua sede, em Almada, dizer – “É a primeira vez que alguém aqui vem para nos trazer alguma coisa!” De facto, diziam, só ali aparecia gente para exigir ao contrário da ASE que se apresentou com uma solução que, segundo disseram, era interessante mas tardia porque já estava em fase de adjudicação a instalação da malha de aço para evitar a queda de pedras na via. A ER 338 abriu ao trânsito mas não houve qualquer beneficiação na plataforma, mantendo-se actual a solução que então lhes apresentamos. Ou seja, o que foi feito na ER338 não resolveu o problema da beneficiação da via, apenas tratou das questões da segurança. Mantemos a actualidade da nossa proposta, até que surja uma outra que nos leve a reflectir, o que até ao momento não aconteceu.
Era por demais evidente que a alternativa pela Cruz da Jogadas e Campo Romão teria de ser uma solução de imediato e por isso a propusemos, enquanto nos empenhamos em estudar as probabilidades de resolver a questão da estrada nacional.
Em relação à situação da EN 232, do que foi público saber, houve uma reunião com um conjunto de entidades de onde sobressaiu a complexidade da situação bem assim como a possibilidade de poder haver três alternativas possíveis. Decorrido o prazo definido nessa reunião terá havido uma outra em que terão sido apresentadas as soluções possíveis, desconhecendo o desenvolvimento da discussão ou a opção que foi tomada. Bem assim como de que alternativas se falou.
Escrevemos anteriormente que daríamos, posteriormente, a nossa opinião sobre a recuperação da zona da derrocada. Nesse sentido, pensamos que, quer a estrada quer toda a área que sofreu da derrocada, devem ser equacionadas em conjunto e a recuperação de uma fazer parte da recuperação da outra.
Nesse sentido, o Munícipio deverá reflectir sobre o aproveitamento da água, inclusivamente, da sua eventual comercialização. Estabilizar a encosta com muros de suporte sucessivos, um processo comum em zonas montanhosas, como se pode verificar através da imagem do viveiro das Moitas utilizada para ilustração deste artigo. De facto, a fotografia referente ao antigo viveiro das Moitas é elucidativa do estado de abandono a que tem sido votado, correndo o risco dos muros ruírem caso não sejam tomadas medidas para o evitar.
Se há 100 anos foi possível fazer tais muros à força de braços, mais facilmente será com a maquinaria actualmente disponível. De forma adicional, consideremos uma vantagem acrescida: enquanto os muros do viveiro são alinhados, na Carvalheira a sua construção em arco confere aos muros uma maior resistência e segurança. Tendo em consideração o aproveitamento hídrico citado, bem assim como a construção de muros em socalcos, procura-se, assim, normalizar a zona da derrocada até que se encontre a estabilidade necessária para repor a plataforma da estrada, tornando-a transitável. Trata-se, como será de prever, de um processo que emerge de um conjunto de condições que envolvem diversas entidades com responsabilidades distintas mas finalidades comuns.
Foi atendendo ao conjunto de realidades que detectámos que optamos por apresentar a solução de antecipar o lance da estrada para um quilómetro antes, procurando com isso alcançar a planície de Campo Romão, aonde já existe a possibilidade de facilmente se aceder à confluência com a estrada, junto à Pousada de São Lourenço. Com o alongamento do novo troço para nascente seria quebrado o declive, mantendo aproximadamente o mesmo desnível do actual traçado.
Do ponto de vista turístico este novo traçado traria grandes motivos de interesse já que ficaria na orientação perfeita com o Vale Glaciário do Zêzere.
Por outro lado, sabendo que as expropriações são um elemento nos custos das estradas, essa situação seria facilmente resolvida uma vez que se está na presença de terrenos comunitários que não teriam vantagem alguma em complicar o processo, bem pelo contrário ficaria com mais um meio de proceder a uma melhor gestão dos povoamentos florestais existentes.
Os problemas resultantes da hidrologia seriam diametralmente opostos à da zona da derrocada uma vez que não são visíveis vestígios, nem o histórico demonstra que ali tenha havido escorrência abundante e constante de água. As linhas de escorrência estão bem solidificadas e o seu caudal insignificante, de solução fácil através de pequenos viadutos, e uma orografia pouco acentuada.
Não temos dúvidas que quando se começarem a discutir os custos, as reflexões irão forçar os técnicos a procurarem as melhores soluções, Numa país em que o dinheiro não abunda, a avaliação que tiver de ser feita não irá ignorar essa realidade.
Foi isso que fizemos. Procuramos encontrar uma solução que procurasse corresponder ao actual traçado, inclusive, afastando as complicações que a hidrologia pode causar e, ao mesmo tempo, manter o declive que a estrada tem.
NOVOS DADOS
Na noite em que a revista estava a ser ultimada, tivemos conhecimento, através presidente da Câmara Municipal de Manteigas, nas redes sociais, da proposta (em estudo), apresentada pela, Infraestruturas de Portugal, I. P. (IP). Tendo como única referência, da proposta da IP, a antecipação do lance da estrada, 300 metros do local da derrocada, o que a orografia nos diz é que poderão abrir um novo troço com aproximadamente 300 metros, num desnível de 40 metros. É uma possibilidade, eventualmente a mais económica e mais rápida. O que acontece é que o novo troço poderá ficar com um declive que poderá passar os 13%! Se se confirmarem as nossas previsões a situação poderá ser resolvida mas, a estrada, tal como na ER338, perderá qualidade.
No entanto, a análise dos técnicos da IP coincidiu com a que a ASE, apresentou, ao rejeitar qualquer solução para a zona da derrocada. Convém sublinhar que a nossa Associação considera importante a sua recuperação, acompanhada de outras intervenções que terão, necessariamente, de ser pensadas no futuro.
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