Revista Zimbro
by Amigos da Serra da Estrela
 

2026-10-07

Assumir a Responsabilidade

Assumir a Responsabilidade

 

Palavras chave

territorio  verdelhos  
 

A população de Verdelhos, a sua Junta de Freguesia, a Câmara Municipal da Covilhã, o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), bem assim como quem andou a trabalhar na construção das veredas do Vale do Beijames, sabem que foi a nossa Associação quem tudo fez para garantir na existência das mesmas.

Para que a existência das veredas fosse possível – na nossa opinião, a infraestrutura turística mais interessante e talvez a mais importante que a freguesia de Verdelhos possui – foram organizados dois eventos que tiveram lugar no salão do Centro Social de Verdelhos. É certo que apenas meia dúzia de cidadãos estiveram presentes, mas aproveitamos para manifestar aqui o nosso agradecimento pela sua presença e interesse. Ficamos-lhe gratos!

Quando foi decidido avançar com a ideia e se obteve a certeza do pagamento a três trabalhadores através de financiamento por parte do IEFP, foi obtida a devida autorização por parte da Junta de Freguesia de Verdelhos, a qual foi apensa ao projecto e remetida para as entidades que financiaram os trabalhos. Referimos o plural porque, efectivamente, as veredas foram apoiadas pelo IEFP, pela Câmara Municipal da Covilhã, pela ASE e por quem investiu 9 meses trabalhando gratuitamente no projecto, na sua coordenação e construção.

Finalizado o projecto, fizemos questão de enviar a quem de direito um texto em que se dava nota do historial que deveria ser colocado num pedestal, onde seria colocada a informação técnica das veredas para os utilizadores e, assim, perpectuar para a posterioridade algo de único no nosso país.

Infelizmente, não obtivemos qualquer resposta ou manifestação de interesse. Até hoje, ninguém, nem nenhuma entidade local fez questão de nos contactar neste sentido.

Anteriormente, aquando da construção das veredas no concelho de Manteigas, o processo foi o mesmo. O aspecto que salientamos distinto foi o facto da nossa Associação não ter investido um cêntimo nos mesmos, apenas a acção voluntária dos seus dirigentes e associados. Os participantes, cerca de 70 jovens, foram pagos através de um apoio recebido da Comissão Nacional Especializada de Fogos Florestais (CNEFF).

Felizmente, a Câmara Municipal de Manteigas parece ter sabido integrar o gesto da ASE e fazer dele o principal promotor do seu concelho, através da publicidade aos Trilhos Verdes (Green Tracks). Lamentamos, por sua vez, que em Verdelhos não tenha acontecido o mesmo, e, pelo contrário, em vez do estado de total abandono em que se encontram as Veredas do Vale do Beijames.

Porque trazemos o assunto agora à colação, perguntarão os leitores? A razão é simples. Só no mês de Agosto fomos contactados 3 vezes por empresas que se dirigiram à Junta de Freguesia de Verdelhos e foram reencaminhados para a ASE com o argumento de que era esta que fazia a gestão das veredas. Não podíamos senão lamentar esta divergência de responsabilidades.

Naturalmente, informámos acerca do nosso papel e da responsabilidade sobre o estado em se que se encontram as veredas, o qual não diz respeito à ASE, uma vez que a mesma se comprometeu com a construção das mesmas e não com a sua manutenção. Aliás, no projecto apresentado à Câmara Municipal da Covilhã, que é do conhecimento da Junta de Freguesia de Verdelhos, não consta tal responsabilidade. A conclusão dos trabalhos das veredas pôs termo à nossa intervenção em todo o processo.

Não pretendemos aqui referir o que foi dito na campanha eleitoral sobre as veredas, a sua importância para Verdelhos ou a vontade de as valorizar. A verdade é que, se as entidades que têm responsabilidade na gestão do território da freguesia de Verdelhos não estão interessadas na dinamização das Veredas do Vale do Beijames, estão no seu direito. Contudo, importa esclarecer uma informação importante sobre a gestão e manutenção das mesmas, que não procure bodes expiatórios para proteger uma incúria que não é nossa.

Da parte da ASE, existe a abertura para cooperar com todas as entidades que assumem responsabilidades na Serra da Estrela, desde que, evidentemente, essa cooperação não constitua uma ameaça aos valores naturais do território serrano.

 
 

 
 
 
 

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