Revista Zimbro
by Amigos da Serra da Estrela
 

2026-10-07

Acácias – Um mimo que prolifera sem controlo

Acácias – Um mimo que prolifera sem controlo

 

Palavras chave

acacias  flora  
 

A presença das mimosas (Acacia dealbata Link.), Acácia-de-espigas (Acacia longifolia) e Acácia-austrália (Acacia melanoxylon) em praticamente todO do país e na Serra da Estrela particularmente, já não passa despercebida ao comum dos cidadãos que, entretanto, parece insensível ou distante, pelo menos pouco interventivo relativamente ao problema que é grave e complexo.

Introduzidas em Portugal durante o século XIX, trazidas em grande parte da Austrália, por uma associação partilhada por botânicos, Serviços Florestais e proprietários de terras, rapidamente veio a reconhecer-se como uma ameaça e as primeiras restrições a serem legisladas pela Lei nº 1.951, de 9/3/1937. Só decorridos 62 anos saiu nova legislação (Decreto-Lei nº 565/99 de 21 de Dezembro) onde eram referenciadas as acácias como espécies invasoras, e a sua utilização passou a ser proibida. Mais tarde, o Decreto-Lei nº 92/2019, veio identificar o conjunto das espécies invasoras que passaram a ser proibidas em Portugal.

Através da plataforma Invasoras.pt, uma equipa de 13 investigadores têm vindo a trabalhar no projecto Rescue com o propósito de “Apoiar a gestão sustentável de Acacia longifolia e de outras espécies de plantas invasoras” e “Contribuir para as melhores práticas e avanços no Controlo Biológico Clássico”. (1)

A Equipa de investigadores está a: “Aprofundar os conhecimentos ecológicos sobre Controlo Biológico Clássico, contribuindo simultaneamente para a sua utilização rigorosa e segura na Europa; Melhorar o restauro ecológico de ecossistemas invadidos; Utilizar os conhecimentos científicos gerados para desenvolver um quadro de decisão com base científica para a gestão de plantas invasoras lenhosas e o restauro de ecossistemas; Explorar formas inovadoras de envolver os cidadãos e as partes interessadas na gestão das espécies exóticas invasoras”.

Através da Trichi, (Trichilogaster acaciaelongifoliae) uma pequena vespa australiana, tem vindo a ser estudado a sua eficácia no controlo biológico da acácia-de-espigas (Acácia longifolia), desde 2015.

Desejando que a equipa de investigadores alcance os seus propósitos e a difusão desta espécie venha a poder ser controlada, a razão do nosso texto tem mais a ver com as observações que vamos fazendo no terreno, através das mais diversas intervenções.

A priori, parece-nos que a limpeza de matos nas bermas das estradas não obedece a nenhum critério que tenha em consideração os impactos das mesmas na propagação das acácias. Destroçam-se as invasoras com a mesma naturalidade e propósito com que se cortam as outras espécies, sejam elas invasoras ou não.

A prática do uso de maquinaria pesada que tem vindo a ser utilizados para destroçar os matos das faixas marginais das estradas e nas encostas, onde é possível chegar tal equipamento, inclusive com a grade de discos é um erro que pode estar a causar uma  propagação maior e mais rápidas das espécies invasoras. Ou seja, através das observações que temos presenciado, pode-se estar a pagar um serviço que vai originar uma realidade ainda mais grave que irá custar muito encargos do que se não fosse feito desta maneira. Pelo menos a propagação seria natural e não artificial pelo uso deste tipo de maquinaria.

Legenda: Imagem exemplificativa da proliferação da semente.

Os responsáveis pela contratação destes serviços de limpeza ou destruição das espécies invasoras, deveriam ter conhecimento das consequências do seu uso. E, parece que não têm!

Numa pequena mancha de acácias existe um potencial disseminador incrível. A existência de milhões de sementes no solo, que podem sobreviver por muito anos só precisam da ajuda de algo como uma grade de discos, um destroçador, ou outro tipo de maquinaria que provoque a mobilização da terra, permitindo assim a exposição das sementes à luz e o desencadeamento exponencial da germinação das sementes.

Através do atrito causado pela rodagem das máquinas, as sementes das acácias abrem-se, causando a sua escarificação, permitindo a entrada de luz e humidade que vai fazer germinar a planta. Ou seja, as máquinas, em vez de esmagar as sementes, desperta-as provocando uma dinâmica surpreendente no geminar das sementes e crescimento das plantas.

O atrito e o impacto mecânico das máquinas provocam microfissuras na casca das sementes (escarificação). Em vez de as esmagar a todas, a máquina “acorda-as”.

IMAGEM

Ao mesmo tempo que se utiliza a maquinaria pesada para o corte das invasoras acaba-se, também, por destruir a espécies nativas por muito que os seus operadores façam para o evitar.

A invasão do território pelas acácias está a ficar problemática. Tudo o que possa ser feito para a enfrentar será bem vindo. Desde já, uma reflexão para a forma como está a ser feita presentemente por parte de muitos intervenientes, é o que parece ser importante no momento.

(1) www.invasoras.pt

(2) https://www.waspweb.org/Chalcidoidea/Melanosomellidae/Trichilogaster/Trichilogaster_acaciaelongifoliae.htm

 
 

 
 
 
 

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