Revista Zimbro
by Amigos da Serra da Estrela
 

2024-02-07

Parque Natural sem alternativa – Parte 2

Parque Natural sem alternativa – Parte 2

 

Palavras chave

esqui  pnse  teleferico  
 

Não há opções para o Parque Natural se não for resolvida a questão da Torre.

 

A proposta da ASE

A solução, da primeira opção do estudo que fizemos, baseado em muitos anos de experiência na Serra da Estrela, procuramos ter em consideração como valências principais, a questão do isolamento de localidades com a importância de Alvôco da Serra, Loriga, Valezim, entre outras.

A redução da distância entre ambas as vertentes da serra, foi uma preocupação que mereceu especial atenção para garantir a sustentabilidade da proposta e motivar o interesse das entidades competentes, bem assim como dos cidadãos envolvidos pela estrada. Daí a redução em mais de 20 quilómetros, comparativamente à EN339 (pela Torre).

Os onerosos meios, financeiros e humanos, que têm sido necessários para manter aberta a estrada da “Torre”, também não foi ignorado. Para além do mais sabendo que a estrada está encerrada em muitos dias do ano, apesar dos elevados recursos que lhe estão associados.

Na primeira fase da nossa proposta tratamos da questão viária, alternativa à actual comunicação via Torre, sem a qual não é provável que tenha sentido progredir para as propostas seguintes.

 

Segunda fase

A Serra da Estrela e as intervenções entretanto introduzidas dão-lhe singularidades, difíceis de encontrar noutras montanhas por esse mundo fora que convém ter presentes quando procuramos soluções.

Desde logo ter-se rasgado, no seu ponto mais elevado, uma estrada comunicante, contrariando todas as regras naturais, em que a voz popular é sábia de que “os vales unem e os montes dividem”. Foi pelos vales que as comunicações sempre se fizeram e, quando houve necessário transpô-los, foi pelas portelas que se construiram as estradas.

Tomemos como exemplo a vizinha Espanha, o país com maior percentagem de montanhas da Europa, embora se passe o mesmo por esse mundo fora, as estradas é pelos “puertos” que estão projectadas. Existem situações onde é possível encontrar acessos a alguns pontos elevados, mas são apenas ramais para dar apoio a alguma infraestrutura. Na Serra Nevada, por exemplo, a estrada de terra batida, até ao Pico Veleta deixou de ser acessível, salvo para o pessoal devidamente autorizado.

A Serra de Gredos, aqui ao lado, com 2.591 metros de altitude (Pico Almanzor), tal como a Serra da Estrela, fazem parte da Meseta Ibérica. É banhada apenas por duas rodovias, a norte e a sul, atravessando as divisórias em dois puertos. Del Pico e Tornavacas, 1.408 e 1.278mts de altitude, respectivamente. Entre estas duas passagens, existe um espaço natural, sem estradas, com cerca de 70kms.

O maior “atrevimento”, ousado pelos espanhóis foi ter aberto uma estrada até à plataforma, 1.768mts de altitude, menos 823 mts que os seu ponto mais alto.
Como soluções para o trânsito na estrada da “Torre”, algums vozes têm dado como exemplo o sistema aplicado no Parque Nacional de Ordessa (Pirinéus), em Gredos, e nos Picos da Europa. São exemplos de realidades que não têm nada a ver com as que se vivem na Serra da Estrela.

Em Gredos, por exemplo, os carros só chegam à Plataforma e, para evitar engarrafamentos, à alturas do ano em que colocam autocarros para transportas as pessoas entre Hoyos del Espinho e a Plataforma. No Parque Nacional de Ordessa foi construido, em Torla, um grande parque de estacionamento e introduzido um sistema de transportes, bastante eficiente, com espaço de autocarros muito curto, entre Torla e a Pradaria (1.316 mts de altitude, menos 1.973mts que o seu ponto mais alto). Nos Picos da Europa, foi instalado sistema indêntico, entre Covadonga e os Lagos Enol e Ercina.

Em todos os referidos casos, o sistema de sistema de transportes é idêntico, a funcionar entre dois pontos específicos, e em estradas que não têm continuidade, simples ramais, que ficam a altitudes muito baixas, relativamente aos pontos mais elevados das referidas Áreas Protegidas (Parque Nacional de Ordessa e Monte Perdido, Parque Nacional dos Picos da Europa, e Parque Regional da Serra da Gredos).

Ora, na Serra da Estrela é uma outra realidade, bem mais complexa, que merece uma análise mais cuidada e mais abrangente. Para além de não se tratar de um ramal é, de facto, uma estrada (EN339) que liga as duas cidades (Covilhã e Seia), em vertentes opostas, com atravessamento pelo seu ponto mais elevado, o Planalto Superior. Não tendo resolvido o problema das comunicações rodoviárias, caso contrário não teríamos os autarcas, a reivindicar, há décadas novas vias porque a chamada estrada da Torre não era solução.

Os 9 kms de espaço natural na Serra da Estrela, balizado entre duas estradas (as Penhas Douradas e a Torre), não tem comparação com os 70 kms da realidade da Serra da Gredos. Para além dos 7 atravessamentos que temos na serra, ainda se teima em abrir mais! Bem assim como a teimosia de algumas pessoas pretenderem fazer uma estrada da sua aldeia até à Torre! Existe essa teimosia e até apoio de onde menos seria de esperar. De quem pega no lápis, faz uns rabiscos numa carta militar e anota que a estrada deve chegar “ATÉ AO PINHEIRO!!!” E não é que nestes anos todos não só chegou ao “pinheiro” como está quase no Alto de São Jorge! Um crime, do nosso ponto de vista!

O caso da chamada “estrada verde”, é mais um erro crasso e um exemplo da maneira como os autarcas olham para a Serra da Estrela. Mais grave, por considerá-la uma estrutura essencial para o desenvolvimento. É triste que este modelo de desenvolvimento, tenha sido invocado pela ex-Ministra Ana Abrunhosa, como estruturante para a região.

Depois destes considerandos, tendo em atenção a posposta de ligação entre a A23 e o nó de Vila Cova à Coelheira (EN17), importa agora avaliar o que pensamos ser necessário fazer para levar as pessoas ao Malhão da Estrela (Torre), sem a necessidade do uso do automóvel.

Quando projectamos a ideia de utilizar meios mecânicos para levar as pessoas não estávamos na posse dos elementos de que dispomos actualmente. Há 30 anos não sabiamos que as previsões de queda de neve na Serra da Estrela iriam estar limitados às próximas duas décadas. Embora não seja descabido referir que já nessa altura se verificava uma diminuição, constante, na queda e acumulação de neve nos pontos mais elevados. Mas daí a ter certezas ia a distância que o desconhecimento sempre permite. A realidade, porém, parece não deixar dúvidas de que os cientistas estão a acertar no seu diagnóstico sobre a redução da queda de neve, acelerada do nosso ponto de vista!Colocou-se-nos o problema de avaliar se, perante a ausência de neve, tinha sentido manter a proposta? É uma questão que iremos desenvolver, na fase III da nossa proposta, passando a desenvolver o modelo de transporte das pessoas para o Planalto Superior nos moldes que tinhamos previsto inicialmente
Meios de acesso à Torre

Atendendo às particularidades da Serra da Estrela e ao significado que tem para os portugueses o ponto mais elevado do continente, consideramos interessante a aposta de um teleférico suspenso na vertente Sudeste e, do lado Nordeste um teleférico apoiado.
Temos perfeita consciência que o mau exemplo do teleférico passado, não ajuda em nada a propor este meio de transporte. Pensamos, no entanto, que é o meio mais eficaz para resolver o problema do transporte e o que menos danos causa no meio natural. Para além de poder ser o mais rentável se associado a outras valências.

A solução que propomos para a vertente Sul, mais propriamente na zona do Covão de Ferro, freguesia de Unhais da Serra, concelho da Covilhã, é a mais adequada para a proposta.

O alinhamento do antigo teleférico tinha 2.960 mts de extensão. Era prependicular às correntes de ar dos vales da Alforfa e Zêzere, e ainda no alinhamento das correntes fortissímas do Covão do Boi, o que iria criar problemas de segurança, embora não fosse essa a causa para não ser terminado. Entre as estações, possuia duas torres metálicas intermédias, uma na vertente do Cântaro Raso e outra numa pendente do Covão de Ferro, já próxima da estação da Torre.

Do nosso ponto de vista, foi um projecto mal pensado, atendendo à morfologia da zona, muito mais dispendioso e com mais manutenção. Talvez demasiado farónica para as necessidades emergentes. O percurso (imagens 1 e 2) do teleférico que defendemos é mais curto, mais aproximado ao solo e sem atravessamento de vales. Para além de ficar protegido pelos contrafortes da encosta Sul do Cantaro Raso. O comprimento da linha de cabos é de 1.800 metros, menos 1.160 metros que o dos Piornos. Neste caso, para além da substancial redução do comprimento dos cabos teria menos uma torre metálica.

 

Os exemplos que publicamos (imagem 3), para os meios de transporte por teleférico, suspenso e apoiado, não têm, necesseriamente aqueles que as imagens revelam. Pretendemos, apenas justificar porque, pensamos, ser este tipo de equipamentos o mais adequado para o estudo que desenhamos para esta zona do Planalto da Serra da Estrela, muito longe dos absurdos que outros já divulgaram, de construir uma telecabine das Penhas da Saúde, e da Lagoa Comprida, para a Torre – um completo absurdo!

Temos perfeita consciência de que caberá aos técnicos avaliar e propor a melhor solução.
Pensamos que ter os suportes das cabines curtos e duplos, através de cabos mais espaçados garante uma maior estabilidade e vantagens nas infraestruturas das estações, que podem ter menores dimensões. Sobre a capacidade e velocidade no transporte de passageiros, existe uma panóplia de modelos que poderão satisfazer a melhor opção para o caso concreto da Serra da Estrela.

Do lado da Lagoa Comprida (imagem 4), a nossa proposta é radicalmente diferente da sugerida para a encosta Sul. Tendo presente o perfil da EN339, entre a Lagoa e a Torre, parece-nos que seria um desperdício não aproveitar a estrada para a solução de um transporte mecânico. Nesse sentido o que defendemos é um teleférico apoiado. Trata-se de um sistema de teleférico tracionado por cabo e apoiado sobre carris que supera curvas ou mudanças de relevo sem problemas. A sua aproximação ao solo apresenta uma disponibilidade ideal para todas as condições atmosféricas e também “tem uma longa vida útil, de aproximadamente 40 anos com moderados custos de manutenção”, de acordo com a informação do fabricante.

Como a sua bitola é de 1 metro, mais as dimensões da cabine, parece-nos interessante na medida em que que bastará um via única com cruzamento de carruagem a meio do percurso. Esta solução, para além de mais económica permite que mais de metade da via fique livre para desenvolver outras iniciativas.
De acordo com as especificações técnicas, cada cabine pode levar 110 passageiros, podendo transportar 970/h, podendo fazer a distância entre a Lagoa Comprida e a Torre (10kms), em pouco mais de 15 minutos. Estamos convictos de que será uma solução sustentável, para resolver os graves problemas com que a região da Serra da Estrela se confronta.

Na terceira parte da nossa proposta iremos justificar a importância destas duas fases, e propor outras alternativas para o turismo.

Deixamos esta pérola: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/a-serra-da-estrela-2/

Parque Natural sem alternativa – Parte 1

 
 
 

Também pode ler

 



 

Comente o artigo

0 Comentários


Contactos | Ficha técnica

© 2024 Revista Zimbro

made with by alforreca

Siga-nos