Revista Zimbro
by Amigos da Serra da Estrela
 

2026-02-11

O Meu Paraíso

O Meu Paraíso

 

Palavras chave

cultura  pessoas  
 

“O autor sofreu esse incêndio como golpe profundo em carne viva e não hesitou em confrontar-se de imediato com essa dor através da escrita, como ue tentando, ela palavra, pela narrativa, exorcizar, curar o sofrimento interior que lhe parecia não ter fim, tal a grandeza e a profundidade da devastação.”

(Do Prefácio, João de Almeida Santos)

 

António Castro Guerra, é natural de Valhelhas e João de Almeida Santos, o amigo que lhe prefaziou o livro, de Famalicão da Serra, duas aldeias muito próximas que os Romanos já ligavam pela estrada entre Viseu e Centum Cellas (Belmonte), via Galhardos/Barrelas.

Castro Guerra, é um serrano dos quatro costados, que se esforça por conhecer a Serra e tem o predicado de a sentir mais que a generalidade dos que dela apenas gostam.

“O Meu Paraíso” o seu último livro, recentemente lançado em, Manteigas, Valhelhas e por fim na Guarda, para referenciar apenas os locais da Serra, é um grito, procurando na Divina Comédia, de Dante, descrever um quadro de emoções, dignas de alguém que não só viveu, acima de tudo sentiu a sua infância desfazer-se porque o seu Paraíso tinha enfrentado o inferno, mas não lhe levou a memória que expressa como se ainda fosse criança o que foi belo e já não é! Naquele tempo, atalhava-seo mal-de-inveja e o mau olhado lançado pelas supostas bruxas da aldeia. (…) Quando um doente visitava uma delas, esta benzia-se e dirigia-se convictamente ao visitante: O Senhor do Manto te tire do corpo este quebranto. Em louvor de São Vicente, que te tire este acidente. Em nome de São Tiago que te tire este olhado. Dois to deram e três o tirarão: Pedro, Paulo e o Apostólo João… Se tiveres mal de inveja ou mal de mau ofício que te sai do coração… Deus te fez, Deus te gerou, Deus te criou, Deus desolhe quem para ti mal olhou…

“Não se pense que a rapaziada e os adultos de outros tempos eram inimigos fidagais de pássaros e animais de maior porte. Não, amavam os passaros que musicavam o silêncio dos campos com os seus pios e chilreios. Observavam-nos com alegria nas árvores, silvados e moitas, ouviam os seus cantos sabiam os nomes de cada um, pela observação e audição dos seus pios e chilreios. As pessoas paravam para executar autênticas sinfonias e ai daqueles que armassem costis ou os laços desde o tempo do acasalamento até à saída das crias dos ninhos…”

“Hoje, o meu paraíso bem como todo o Interior de Portugal é uma realidade preocupante: um deserto de pessoas, de campos e florestas abandonadas, cuja fronteira se vai aproximando do litoral.”

O Paraíso que em minutos virou Inferno

“Sempre atentos às notícias… o fogo teve um comportamento relativamente moderado, mas durante a tarde do dia 11 chegou a atingir uma velocidade de propagação de 3.000 metros/hora e uma taxa de expansão entre 1.000 e 1.200 hectares/hora.”

“Em poucos minutos o incêndio cercou Valhelhas, por todos os lados das serras que pertencem aos seus domínios.”

“Este inferno a arder em todas as frentes, só poderá ter sido inspirado pelo Diabo!

No fundo, um livro que descreve para além de gostar, o sentir que o autor tem pelas raízes que o viram nascer e que, para além do “Diabo” que também trouxe o Dilúvio, não deixa de acreditar no Renascimento que as primaveras trazem enquanto promessas de futuro!

 
 

 
 
 
 

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