Revista Zimbro
by Amigos da Serra da Estrela
 
Advogado

2025-11-21

Serra da Estrela – Revitalização ou Destruição

Serra da Estrela – Revitalização ou Destruição

 

Palavras chave

estrela  
 

Os autarcas da Serra da Estrela queixaram-se recentemente do respectivo Plano de “Revitalização”, exigindo a sua “reprogramação com financiamento real”, criticando o que entendem ser a falta de financiamento para concretizar o plano.

Ora, os autarcas erraram totalmente o alvo da crítica, que devia ser o próprio Plano, que na verdade é um plano de destruição da Serra da Estrela e das suas características naturais e não de revitalização da mesma.

O chamado Plano de “Revitalização” da Serra da Estrela, em vez de prevêr, como devia, a regeneração das áreas que arderam,  aproveitando a oportunidade para promover a reflorestação de muitos desses espaços com espécies autóctones, mais resistentes ao fogo e consentâneas com a recuperação da bio-diversidade e da paisagem, bem como o apoio à reconstrução de habitações e de estruturas de produção locais também destruídas pelos incêndios, prevê um conjunto de programas de construção desenfreada, como a asfaltagem de quase todos os caminhos rurais e florestais, transformando-os em vias de grande circulação que iriam  fragmentar ainda mais o espaço natural, promovendo o acesso massificado a quase todas as áreas da Serra, aumentando  brutalmente a carga turística e impossibilitando a recuperação da bio-diversidade, artificializando os espaços hídricos ainda em estado natural através da construção exagerada das chamadas “estruturas de apoio” de “aproveitamentos hidráulicos” e “reservas hídricas”, descaracterizando totalmente as condições naturais da Serra que, além de terem que ser preservadas pelas suas características únicas, também são o principal motivo de atracção para o tipo de turismo que menos impacto tem sobre as áreas mais sensíveis e a bio-diversidade e que simultâneamente é o que mais retorno económico traz à região, que é o turismo de natureza nas suas diversas vertentes, que “foge” dos espaços artificializados.

O chamado Plano de “Revitalização” aponta para a transformação da Serra da Estrela numa espécie de parque de diversões em altitude, “enfeitado” com umas zonas verdes, atraindo apenas o tipo de turismo de “vai e vem”, que pretende chegar por estrada pavimentada a todos os locais, que procura ver a chamada “obra feita” em todo lado e que normalmente se limita a atravessar  de automóvel as áreas que “visita”,  deixando lixo e muitas vezes lançando o cigarro pela janela.

O Plano enferma de uma visão ultrapassada e urbanocêntrica da natureza, infelizmente muito comum nos nossos responsáveis políticos, tanto ao nível central como autárquico, que só dá valor ao património construído e que considera que a natureza não tem valor em si mesma.

Importa sublinhar que quando o dinheiro é gasto nos objectivos errados, a situação é mais grave do que “apenas” um desperdício, é um atentado contra os valores que são destruídos pela “obra”, neste caso os valores naturais e características únicas da Serra.

É pelas razões expostas que o nosso Presidente, o Zé Maria Saraiva, escreveu há cerca de três anos o muito oportuno artigo “Porque tememos os milhões?”, que o chamado Plano de “Revitalização” demonstra ser mais actual do que nunca.

Para concluir, só posso dizer que, se a intenção fôr a de concretizar o Plano que existe, é preferível que não haja financiamento.

 

 
 

 
 
 

Também pode ler

 



 

Comente o artigo

1 Comentário


  1. Jan Jansen diz:

    Receio que a essência da sua história esteja correta.

Contactos | Ficha técnica | Política de privacidade

© 2026 Revista Zimbro

hosted by dominios.pt

Siga-nos

 

vote for this article