Revista Zimbro
by Amigos da Serra da Estrela
 

2025-11-21

O Outono na Serra da Estrela

O Outono na Serra da Estrela

 

Palavras chave

outono  
 

Começam a dar-se passos para fazer do Outono uma época de excelência na promoção do turismo na Serra da Estrela.

Apesar das chamadas de atenção que fomos fazendo, ao longo dos anos, para o disparate que era investir em publicidade na promoção da neve quando, gratuitamente e de forma enganosa, as televisões o faziam, com o anúncio de “nevões”, mal uns simples flocos davam sinais de aproximação à Serra, que se desprezava uma época com um potencial imenso – o Outono!

A Câmara de Manteigas começou a dar alguns sinais de empreender energia nessa época, mas de forma tímida e limitada à promoção de festivais associados à fotografia.

No anterior executivo, atento à dinâmica da procura que as Faias estavam a ter, investiu nas tecnologias da informação e o sucesso está à vista, com as Faias faladas e publicitadas por todo o país.

Por enquanto, o Outono, neste caso em Manteigas, tem beneficiado da perspicácia de quem preside ao Município e da influência que as novas tecnologias da comunicação possibilitam atingindo assim um vasto leque de cidadãos que apreciam a natureza, neste caso a policromia de uma pequena mancha, com cerca de 10ha de Faias (Fagus silvatica L.), plantada pela Administração Florestal de Manteigas, no início do século passado, na encosta de São Lourenço.

Como temos vindo a referir ao longo dos anos, muito pouco tem sido feito na reposição do coberto arbóreo, continuando a beneficiar daquilo que nos foi legado pelos Serviços Florestais. Contudo, em abono da verdade, as manchas existentes têm sido razoavelmente geridas, com a vertente dos caminhos em completo desalinho com as melhores normas de concepção. Em vez dos levantamentos topográficos e projecção dos caminhos, deu-se lugar à abertura de caminhos através do olhar do mestre florestal, de cujos resultados muitos danos temos e iremos continuar a lamentar.

A diversidade da oferta turística tem de voltar-se para a baixa altitude, para a proximidade dos aglomerados urbanos porque assim estaremos a proteger as áreas mais sensíveis da Serra da Estrela de todo o tipo de atropelos para os quais pouco se tem ligado. Os exemplos dos Passadiços do Mondego, das “Piscinas” das Cortes do Meio, das Faias de São Lourenço, são exemplo de como isso não só está a contribuir para melhorar a economia de proximidade como a não ter exigências de segurança, condições atmosféricas, estradas encerradas ou outras como os trabalhos de manutenção. Não nos incomoda que haja enchentes em qualquer um dos locais ou outros que se venham a promover a estas cotas. A nossa grande preocupação tem a ver com o património natural acima dos 1.400 metros de altitude, alertando que, também aqui os Municípios estão a cometer erros de palmatória. Recuar depois de se terem cometido erros, é sempre mais difícil do que fazer as coisas bem pensadas.

Obviamente que, se dependesse de nós, não construiriamos os passadiços dos Mondego porque temos a convicção de haver alternativas bem mais interessantes, mais duradouras, mais integradoras, de baixo custo e que valorizassem mais o vale onde estão integrados do que a infraestrutura que foi construída. Daí que actualmente se dê mais importância à promoção dos passadiços, do que ao próprio vale do Mondego!

Os passos que terão de ser dados para o futuro é que, os três Municípios que limitam os seus territórios no topo da Serra da Estrela, convirjam no sentido de políticas de conservação em vez de utilizar um património natural riquissímo, impossível de recuperar, se for degradado, para a massificação do turismo e de iniciativas de comportam milhares de praticantes.

Diriamos que é necessário que a diversidade da oferta se faça, investindo mais na criação das condições para que isso se torne realidade e não apenas aproveitando um oásis para fazer dele bandeira sem que se construam mais alternativas que garantam uma oferta turísta ao longo do ano, em vez de enchentes pontuais que, é sabido, não oferecem a qualidade desejada a ninguém.

E, se quer promover o Queijo Serra da Estrela, terá de se repensar se é com medalhas a pastores que vamos conseguir ajudar ou, pelo contrário será invetindo em todas os processos pastoris, desde logo em práticas que lhes garantam melhores rendimentos, melhores condições de vida, melhores pastagens e, possivelmente em outros formas de maneio e gestão da actividade. Atendendo a um conjunto de realidades, temos a convicção de que deixar este produto ao sabor das dinâmicas, apenas pastoris, é o mesmo que ditar o desaparecimento da actividade no seu todo. Só com intervenção e ajudas os pastores poderão ter o futuro mais garantido e promissor. Loja de venda na Torre, só se o queijo e as pastagens estiverem lá!

 
 

 
 
 
 

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