Revista Zimbro
by Amigos da Serra da Estrela
 

2025-11-21

Covão d’Ametade volta à ribalta

Covão d’Ametade volta à ribalta

 

Palavras chave

covao  
 

O presidente da Câmara Municipal de Manteigas tornou pública a intensão de assumir a gestão do Covão d’Ametade, propondo-se a cuidar daquele espaço e a “retirar tudo o que são construções artificiais de fogareiros e mobiliário, recuperar a totalidade do edificado degradado e colocá-lo ao serviço dos visitantes, garantir a presença de guias do parque e uma gestão diária do espaço, trabalhar em toda a sinalética informativa e proceder ao arranjo dos espaços de acesso e de estacionamento.”

Para o efeito promoveu já uma visita ao Covão d’Ametade com o director regional do ICNF, Paulo Farinha, acompanhado por elementos da sua equipa, e com o conselho diretivo dos Baldios de São Pedro, desconhecendo-se, por enquanto, qual terá sido o resultado do encontro uma vez que o espaço está integrado nos limites do baldio de São Pedro, ao mesmo tempo que sujeito ao POPNSE do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

O concelho de Manteigas é o único, dos seis que integram a área do Parque Natural da Serra da Estrela, cujo território está totalmente integrado no Parque, o que é revelador da riqueza ao nível do Património Natural que este concelho possui.

Relativamente à intenção de retirar os fogareiros, que na altura fizemos questão de chamar de “pagodes chineses” como mote para ridicularizar a péssima ideia da sua instalação, só podemos congratularnos. Tínhamos a convicção de que a sua permanência, como outras que se revelaram uma autêntica agressão ao local bem assim como péssima gestão a que foi sujeito o Covão d’Ametade, iria ser uma questão de tempo. Tudo indica que a razão da nossa contestação, isolada, diga-se e nem sempre bem recebida por muitos Manteiguenses, teve eco. Está de parabéns o presidente do Município de Manteigas, já que revelou mais sensibilidade e uma maior perspicácia, que os políticos que o antecederam no cargo, na procura de uma solução, que desejamos melhor, para aquele que é o Monumento Natural da Serra da Estrela.

Para além das declarações de circunstância que o Presidente Flávio Massano quis dar sobre a visita que promoveu, a ASE vai estar expectante sobre o conjunto das intervenções que, naturalmente, estarão pensados, tendo a perfeita consciência da sensibilidade ecológica do local e que, por certo, estarão no pensamento de Flávio Massano.

O Covão d’Ametade é muito mais do que aquilo que se vê. Daí que qualquer intervenção que venha a ser feita, terá de ter presente a sua importância enquanto museu vivo, pela riqueza de tudo o tipo de material que ali tem sido depositado ao longo de milhares de anos, o qual, por ausência de oxigenação é determinante para a sua conservação.

Qualquer intervenção no Covão d’Ametade deve ser muito bem ponderada porque a sua complexidade não se compadece com simples questões de gosto para agradar a quem o visita.

A relação da nossa Associação com o Covão é profunda e tem o acumular de mais de três décadas contínuas de onde emergiu a maior actividade invernal de montanha do país. Por lá passaram milhares de amigos das montanhas, as maiores figuras do montanhismo nacional que granjearam feitos internacionalmente.

São histórias, muitas mesmo, que terão de ser contadas um dia, porque o Covão d’Ametade foi capaz de os abraçar para se sentirem bem e em harmonia com a sobriedade de quem ama as montanhas. E que foram capazes de resistir e saber enfrentar quem, comodamente sentado nos gabinetes do poder, nunca foi capaz de apreciar e saber valorizar os milhares de cidadãos que se fizeram amigos sinceros da Serra da Estrela. Quanto não foi deitado por terra por não se ser suficientemente generoso para o entender.

Não deixamos de reter alguns argumentos ( ver imagem) usados por Flávio Massano os quais, pensamos, terão estado na sua mira quanto à estratégia que quer para o Covão d’Ametade. A contabilidade determinada pelo contador que lá foi colocado é objectiva e dá números que o terão entusiasmado mas que poderão ser falacioso. O que importa destacar é que 100.000 visitantes no Covão d’Ametade, é visto com entusiasmo pelo presidente da Câmara de Manteigas porque isso dava para arrecadar 100.000€ por ano. Porque não 200 ou 300 mil?

A nossa Associação continua a pensar no Covão d’Ametade como um elemento preponderante que o associa a um projecto mais amplo para a Serra e para o conjunto dos Municípios que integram o Parque Natural da Serra da Estrela. E não é algo que saiu de um sonho, mas de muitos anos a olhar para a Serra, a estudar as suas potencialidades, através da sustentabilidade dos seus recursos.

 
 

 
 
 
 

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