Revista Zimbro
by Amigos da Serra da Estrela
 

2025-07-15

Alguém mentiu ao Expresso

Alguém mentiu ao Expresso

 

Palavras chave

estrada  expresso  verde  
 

Escreve o Expresso, no suplemento de Economia do dia 6 de Junho, página 22, que “Viver em áreas protegidas pode ser uma dor de cabeça”. Não só esta afirmação dá que reflectir, como ainda se refere à área da habitação… é mesmo de estranhar.

Alguém mentiu ao Expresso

Alguém mentiu ao Expresso

Relativamente à área do Parque Natural da Serra da Estrela, Manteigas é o Município cujo território está totalmente integrado nesta Área Protegida, o qual tem feito gala em referi-lo como o concelho com melhor qualidade de vida. Claro. É capaz de ser um pouco difícil de entender estas dores de cabeça, mas vejamos a questão da habitação por outro ângulo.

Todos os concelhos que fazem parte do Parque Natural da Serra da Estrela possuem Planos Directores Municipais (PDMs), cuja execução e cumprimento é da inteira responsabilidade dos Municípios.

De acordo com os dados demográficos, a perda de população é geral a todos os Municípios, pelo que não se compreende de onde poderão emergir os problemas da habitação, uma vez que o parque habitacional existente deveria, à partida, satisfazer a procura.

No entanto, o maior embuste está na afirmação, logo no primeiro parágrafo, de que “foram precisos 10 anos para construir a estrada verde, uma reivindicação antiga dos moradores da área do Parque Natural da Serra da Estrela (…).”

A verdade é que os moradores não se manifestaram sobre esta estrada, nem a mesma, ou mesmas, foram construídas depois dos tais 10 anos porque, verdade seja dita, já existiam há muitas décadas. É preciso não conhecer aquela zona da Serra da Estrela para perceber que todas as povoações referenciadas no texto estão servidas por boas estradas, sem necessidade alguma da propagada “estrada verde”.

A ASE, fazendo uso da Revista Zimbro e dos seus meios de divulgação, já referiu esta informação por diversas ocasiões, mas voltamos a dar-lhe o destaque que merece:

A intenção de alcatroar a estrada de terra batida (que para tentar enganar os tolos chamaram de verde), entre Videmonte e a Lagoa Comprida, tem muitas décadas e era uma tentativa da Câmara da Guarda procurar chegar à Torre. Acontece que, entre as Penhas Douradas e a Lagoa Comprida, o território é do concelho de Seia e, como é óbvio e legítimo, este Município nunca iria permitir que o fluxo de turistas fosse desviado do seu concelho para outro. Adicionalmente, também a Câmara de Manteigas percebeu que a melhoria da estrada, entre a Cruz das Jogadas e a EN 232, junto à Casa de São Lourenço (antiga Pousada com o mesmo nome), lhe retiraria o movimento da vila e, portanto, não concordou.

O avanço da Estrada Verde, assim como os problemas levantados sobre as burocracias associadas, nomeadamente, de construções, são das questões mais graves que nunca foram sanadas entre as autarquias e o Parque Natural da Serra da Estrela. É neste processo que os autarcas têm, de uma vez por todas, de dizer com clareza o que pretendem, em vez de estarem constantemente a invocar papões. É urgente e necessário que os Municípios digam aos seus munícipes se querem fazer parte de um território com o estatuto de Parque Natural. Assim como não se podem escudar em meras retóricas com as questões da conservação, devendo tornar claro a que conservação se referem.

Os anunciados projectos no Plano de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela, a serem concretizados, podem revelar-se fatais para a Serra da Estrela enquanto Parque Natural.

 
 

 
 
 
 

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